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AMME e Coren-SC reforçam quebra de preconceitos e direito de cuidado para pessoas com esquizofrenia


29.04.2026

Fazem dois anos que o dia 24 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esquizofrenia. A data, e a semana que a prossegue, é tida como momento para divulgar conhecimento sobre o transtorno e assim quebrar estigmas que o envolvem.

Segundo Josiane Pierre, participante da Associação Mãos de Mães de Pessoas com Esquizofrenia (AMME), o atendimento de saúde e a desmistificação da condição tem a igual importância, “ter uma pessoa com esquizofrenia em casa é sempre receber a pergunta ‘seu filho é agressivo?’, ‘já bateu em alguém?’, perguntas que são feitas por pessoas que muitas vezes não sabem efetivamente o que é esquizofrenia. Digo que lidar com o preconceito é tão ruim quanto lidar com a falta de tratamento efetivo.”

Isso não significa desconsiderar a abordagem por profissionais da saúde, pelo contrário, “quando temos um profissional especializado na área, todo tratamento será diferente. Estudar os desafios dos transtornos mentais e suas discrepâncias muda a forma de ver o paciente”, declara Josiane.

O tratamento humanizado de as pessoas com transtorno mental, passa pelo reconhecimento delas enquanto indivíduos e, portanto, saber que partem de diferentes contextos sociais, culturais e afetivos, assim se relacionando com o sofrimento de maneiras diferentes. Essa é a referência de abordagem para as Redes de Atenção Psicossocial (RAPS), unidades ligadas ao Sistema Único de Saúde para o atendimento de distúrbios psíquicos e vícios.

A conselheira do Conselho Regional de Enfermagem e mestra em Saúde Mental e Atenção Psicossocial Denise Thum explica que a raiz dos estigmas à saúde mental e condições como a esquizofrenia está na abordagem asilar de tratamento, hoje considerada danosa e utilizada apenas em casos específicos. A discussão de saúde mental qualificada, segundo a conselheira, se afasta da ideia de periculosidade para a de vulnerabilidade e necessidade de cuidado, também rompendo com rótulos como “louco”, “incapaz” ou “improdutivo” e promovendo inclusão social, autonomia e protagonismo das pessoas em sofrimento mental.

Esquizofrenia

Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, idéias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos.

A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma remissão completa ou incompleta. Não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando o quadro clínico comporta sintomas depressivos ou maníacos no primeiro plano, a menos que se possa estabelecer sem equívoco que a ocorrência dos sintomas esquizofrênicos fosse anterior à dos transtornos afetivos. Além disto, não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando existe uma doença cerebral manifesta, intoxicação por droga ou abstinência de droga. […]

Fonte: Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10)

A importância da Enfermagem no atendimento

A abordagem da Enfermagem dentro do campo do atendimento psicossocial vai de encontro para o atendimento humanizado e acompanhamento de pacientes que necessitam de cuidado. Josiane considera a importância de profissionais médicos para avaliação e prescrição de tratamento, mas valoriza o papel da Enfermagem na continuidade do processo e acolhimento.

Segundo ela, pessoas com esquizofrenia tendem a desistir ou negar o tratamento, assim torna-se relevante a escuta ativa prestada por profissionais de Enfermagem, algo que “pode mudar todo o curso do tratamento”.

O Sistema Cofen/Conselhos Regionais tem ampliado sua atuação na interface entre saúde mental, valorização profissional e qualificação do cuidado. Entre as principais frentes, destacam-se a criação da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), que tem como finalidade de opinar, por meio de Pareceres, normatizar e desenvolver ações de qualificação profissional na área de saúde mental, além de prestar suporte sobre questões do exercício ético-profissional.

Outra iniciativa disso é o trabalho relativo à saúde mental dos trabalhadores de enfermagem, reconhecendo o sofrimento psíquico associado às condições de trabalho (sobrecarga, precarização, violência institucional), através da realização de Audiências e Manifestações Públicas diante de atitudes de desrespeito para com a categoria profissional.

Confira na íntegra a nota publicada pela AMME para a Semana de Conscientização da Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental grave, crônico e ainda cercado por estigmas e desinformação. Caracteriza-se por alterações no pensamento, na percepção e nas emoções, podendo impactar profundamente a vida da pessoa e de sua família. No entanto, com diagnóstico precoce, tratamento adequado e apoio contínuo, é possível promover qualidade de vida, autonomia e inclusão social.

A Semana de Conscientização da Esquizofrenia, celebrada no mês de maio, com destaque para o dia 24 de maio — Dia Internacional da Pessoa com Esquizofrenia —, surge como um importante marco para ampliar o diálogo, combater preconceitos e levar informação de qualidade à sociedade.

Falar sobre esquizofrenia é essencial. O silêncio e o desconhecimento alimentam o medo, a discriminação e o isolamento. Quando trazemos o tema à tona, contribuímos para a construção de uma sociedade mais empática, informada e preparada para acolher. A informação correta ajuda a desmistificar ideias equivocadas, como a associação da doença à violência ou incapacidade, que não refletem a realidade da maioria das pessoas diagnosticadas.

Nesse contexto, os profissionais de enfermagem desempenham um papel fundamental. São muitas vezes a linha de frente no cuidado, no acolhimento e na orientação de pacientes e familiares. Sua atuação vai além da assistência técnica, envolvendo escuta qualificada, humanização e defesa dos direitos das pessoas com transtornos mentais.

A conscientização também fortalece a importância das políticas públicas em saúde mental, do acesso ao tratamento e da valorização da rede de atenção psicossocial. É preciso garantir que todas as pessoas tenham acesso a cuidados dignos, contínuos e baseados no respeito.

Promover a Semana de Conscientização da Esquizofrenia é, acima de tudo, um ato de responsabilidade social. É dar voz a quem muitas vezes é silenciado. É transformar informação em acolhimento. É reafirmar que pessoas com esquizofrenia são, antes de tudo, pessoas — com histórias, sonhos e direitos.

Falar é cuidar. Informar é incluir. Conscientizar é transformar.

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